Índio


Índios e Brancos no Brasil

O paraíso intocável teve sua paz perturbada com a chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500. Ao aportar no litoral, o “chamado homem branco” entra em contato com os nativos e desenvolve o escambo- comercial baseado na troca de mercadoria. Quando o escambo se torna inoperante, o índio é transformado em escravo e somente se livra dessa condição em meados do século XVIII.
Porém, Portugal proibiu a escravidão e autorizou a chamada “guerra-justa”: mecanismo pelo qual o colonizador oprimia aqueles índios que não eram passivos à dominação pelo homem branco. E assim a história se perpetuou com o mesmo padrão: os territórios que eram de interesse dos colonizadores, para os mais diversos fins econômicos, eram tomados da população indígena existente. Por isso muitas tribos foram violentamente extintas e outras resistiram de forma parcial uma vez que foram aculturados.
Frente ao longo histórico de repressão, foi somente nos últimos anos do século XIX que pela primeira vez o índio passou a receber tratamento humanístico, através de Rondon e seus colaboradores. Hoje a maior concentração indígena está na Amazônia brasileira central, oriental e região sul. A sociedade a fim de proteger os remanescentes indígenas criou as reservas e os parques locais onde os índios podem viver e obter suas subsistências.

(Antropologia: uma introdução/ Maria de Andrade Marconi, Zélia Maria Neves Presotto – 6. Ed. -2. Reimpressão – São Paulo: Atlas, 2006).


Culturas e Famílias Linguísticas

São numerosas as culturas e as línguas tribais que compõem a população indígena brasileira. O elemento humano que compõe esses grupos é genericamente chamado de índio, denominação dada pelos europeus. Nas primeiras décadas do século XVI, os índios eram tidos pelos colonizadores como seres subumanos, desprovidos de alma, estando mais próximos dos animais. Sua dignidade humana só foi restabelecida após 1537, quando o papa Paulo III os reconheceu como “verdadeiros homens livres”.          
No Brasil as populações indígenas são heterogênicas por três aspectos: biológico, linguístico e cultural. Um dos aspectos que podemos destacar é o biológico, onde o índio apresenta características que se assemelham aos asiáticos, como a cor da pele, formato do rosto e forma dos cabelos. No contexto linguístico o Brasil tem 1400 tribos, pertencentes a 40 famílias linguísticas. O tupi é uma das línguas indígenas mais falada no Brasil.                            
Entende-se por tronco ou família linguística o conjunto de grupos tribais que tem uma língua semelhante onde é conservada por uma mesma família, semelhança essa explicada por uma única origem que no passado foi uma só língua. As tribos no Brasil vêm sofrendo os efeitos da destribalização e desorganização. Quando não são destruídos totalmente, eles então desaparecem como unidades étnicas.

Referências – Antropologia: Uma introdução. MARCONI, Marina de Andrade – 6°. Ed – 2. Reimpressão – São Paulo: Atlas 2006

Aculturação Indígena

Aculturação indígena é o contato de índios com outros índios, e com populações de diferentes etnias. Pode ocorrer de forma interétnica, que é a interação entre índio e o branco, por exemplo. Pode-se dizer que o processo de aculturação intensificou-se com a chegada das frentes pioneiras de expansão. Na busca de crescimento econômico, a população urbana passa a explorar regiões não ocupadas pela civilização. Para isso, muitas vezes, territórios indígenas eram tomados.

Pode-se classificar uma tribo indígena quanto ao grau de contato com a civilização: 
a) os grupos isolados, que ocupam regiões não alcançadas pela civilização; 
b) os grupos em contatos intermitentes, que começam a ser atingidos pela sociedade nacional;
c) os grupos em contato permanente, que são quase totalmente dependentes em relação à civilização; 
d) e os grupos integrados, que são os que, tendo passado pelas etapas anteriores, conseguiram sobreviver.
A aculturação indígena também pode ocorrer de forma intertribal, que se verifica quando grupos tribais, portadores de línguas e culturas diferentes, entram em contato. Nesta relação, ambos se relacionam mutuamente vivendo em contato permanente e pacífico. Neste caso, podem ocorrer duas situações peculiares: uma tribo poderá predominar sobre as demais ou as relações poderão se desenvolver sem que haja uma tribo predominante.

Marconi, Maria de Andrade; Presotto, Zelia Maria Neves. Antropologia: Uma Introdução – 6. Ed. – 2. Reimpressão – São Paulo: Atlas, 2006. 

POLÍTICA INDIGENISTA BRASILEIRA


Durante o desenvolvimento histórico do Brasil, os grupos indígenas, apesar da maioria populacional, na época eram considerados apenas uma ferramenta de trabalho para as colônias. O que mantinha a obra de colonização era a cristianização dessa população. Os jesuítas – padres missionários – mesmo que incansáveis em suas evangelizações pouco puderam fazer para impedir que o índio fosse explorado e escravizado. Mesmo que os regimentos recomendasse o bom tratamento do índio, foram inúmeros os conflitos contra a população indígena: eram as chamadas “Guerras Justas”.
Foi desenvolvida uma política em relação ao índio pela Coroa Portuguesa, que condenava sua escravização, mas, ao mesmo tempo, a incentivava, causando o extermínio do índio. Os missionários também apoiavam esse posicionamento, pois detinham a direção temporal das reduções. As reduções eram espaços coletivos cultivados pelos padres para favorecer a evangelização. Inúmeros indígenas procuravam as reduções para morar. De alguma forma, essas reduções facilitava o contato dos espanhóis e portugueses no domínio dos índios.
Em 1757 foi concedida a liberdade aos indígenas pelas leis pombalinas, e em 1798, através desta carta Régia o Índio é considerado “menor”.
Em 1808, com a chegada de Dom João VI ao Brasil, novamente a guerra justa foi autorizada restabelecendo a escravização do índio por mais de quinze anos. Em 1823, José Bonifácio propôs o comércio com os indígenas incentivando a miscigenação entre índios, brancos e mulatos.



ÍNDIO BRASILEIRO PASSADO E PRESENTE
           
O índio brasileiro é um povo que há milhares de anos já habitavam o Brasil. Cheio de crenças, mitos, um passado e presente cercado de perseguições, sobreviveram e agora compõe uma população diferente daquele que Cabral havia avistado em 1500. Um povo de muitos nomes, falantes de 180 línguas, tem a sua origem ainda imprecisa.  Alguns falam que são originários do próprio continente, outros afirmam que vieram da Ásia ou da Oceania. Enfim, são várias as hipóteses que cercam a história dos povos indígenas da América do Sul. 
Com a conquista dos europeus sobre o território brasileiro, o primeiro contato entre índios foi marcado inicialmente por curiosidade e depois por medo. A colonização acabou deixando traços incorrigíveis na vida desses povos e naquela época o desejo dos indígenas em defender suas terras já era notório. Possuindo modos de cultura que vão entre semelhanças e diferenças, o índio brasileiro possui rituais, mitos, religião, práticas esportivas, criatividade e casamento. Além disso, expressam sua arte, educação e línguas, tipos de alimentação variados, uma medicina rica usada na cura de várias doenças e outros males e por fim, sua forma de expressar seus sentimentos e emoções. A arte indígena passou a fazer parte da cultura brasileira e da história da arte. A história das etnias indígenas brasileiras chega a se confundir com a própria história do Brasil. Pode-se conhecer mais a trajetória da história dos índios até os dias atuais acessando páginas da internet, onde as questões indígenas se perpetuam. Porém, continua a busca pelo melhoramento do Estatuto do Índio, em prol dos seus direitos.
      Segundo o Estatuto do índio (Lei nº 6001, de 1973), "aos índios e às comunidades indígenas se estende a proteção das leis do país, nos mesmos termos em que se aplica aos demais brasileiros, resguardados os usos, costumes e tradições indígenas, bem como as condições peculiares reconhecidas nessa lei." (Funai, Legislação 1975: 5).

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